#10 Plástico: entenda mais sobre seu uso no nosso dia a dia e seus efeitos já presentes no meio ambiente e em nosso corpo.

Começamos nosso texto com uma simples pergunta:

Vocês conseguem pensar na rotina atual sem o uso de plásticos? Celular, escova de dentes, partes do carro, peças do computador, utensílios de cozinha, brinquedos do seu filho… tudo tem plástico e não é por acaso.

Ao longo das últimas décadas, o material entrou com peso em diversos ramos industriais (construção civil, eletrônica, embalagens, móveis, etc.), substituindo metal, vidro, cerâmica, madeira e papel devido a algumas vantagens, como facilidade de transporte e de processamento, o menor consumo de energia e a grande durabilidade. Em termos de embalagens, o plástico é imbatível, pois apresenta boas características com relação à higiene, além de resistência ao ataque de animais e manutenção da qualidade do produto nela contido. Mas, afinal, de onde vêm e o que são plásticos?

A palavra “plástico” vem do grego plastikos, que significa “próprio para ser moldado ou modelado”. Os plásticos são originados a partir de resinas derivadas do petróleo e pertencem ao grupo dos polímeros, que são longas cadeias moleculares. Existem tipos diferentes de plásticos que são determinados pela extensão e estrutura dos polímeros. De maneira básica, é possível dividir os plásticos em dois grandes grupos:

 

Termoplásticos

Essa é a categoria dos plásticos mais “moles”. Eles não sofrem alteração em suas estruturas químicas após o aquecimento. Portanto, podem ser fundidos novamente para constituírem um novo material. Exemplos são o polipropileno (embalagens de massas e biscoitos), polietileno de alta densidade (embalagens de detergentes), polietileno de baixa densidade (sacolas de mercado), polietileno tereftalato (garrafas PET), poliestireno (potes de iogurte), policloreto de vinila (embalagens de água mineral), entre outros. São recicláveis.

 

Termorrígidos:

São plásticos que não se fundem com o aquecimento, sendo também insolúveis e não recicláveis. Lentes de óculos, certos utensílios de cozinha e algumas peças plásticas de aparelhos televisores são plásticos termorrígidos.

 

Agora que tivemos um breve esclarecimento sobre esse material tão polêmico e tão presente nas nossas vidas, vocês sabiam que vestígios de micro plásticos foram encontrados no sangue humano pela primeira vez?

Em particular, um grupo de pesquisadores da Vrije Universiteit Amsterdam os detectou em até 8 em cada 10 pessoas entre todos os voluntários testados. Isso levanta preocupações importantes sobre as possíveis consequências para a saúde. Na verdade, o estudo mostra que as partículas podem viajar dentro do corpo e se estabelecer em órgãos. Com efeitos à saúde ainda desconhecidos. Os resultados foram publicados na revista Environment International.

Os pesquisadores estão preocupados que, por meio de testes realizados em laboratório, os microplásticos danifiquem as células humanas e já sabemos que as partículas resultantes da poluição do ar podem entrar no corpo e ser a causa de milhões de mortes prematuras a cada ano. Grandes quantidades de resíduos plásticos estão atualmente sendo despejadas no meio ambiente, e os microplásticos agora contaminam todo o planeta, desde o cume do Everest até os oceanos mais profundos. Já sabíamos que pequenas partículas de plástico são ingeridas através de alimentos e água ou que as inalamos do ar. Na verdade, traços de microplásticos foram encontrados nas fezes de crianças e adultos.

Os cientistas analisaram amostras de sangue retiradas de 22 doadores anônimos, todos adultos saudáveis, e encontraram partículas de plástico em 17 delas. Metade das amostras continha plástico PET, que é comumente usado em garrafas, enquanto um terço continha poliestireno, usado para embalar alimentos e outros produtos. Um quarto das amostras de sangue continha polietileno, cujo material são feitos sacos de plástico. "Nosso estudo é a primeira indicação de que há partículas de polímero no sangue: “é um resultado revolucionário", disse Dick Vethaak, ecotoxicologista da Vrije Universiteit Amsterdam, na Holanda.

“Mas precisamos ampliar a pesquisa e aumentar o tamanho da amostra, o número de polímeros avaliados, etc.” ele acrescenta. Mais estudos de vários grupos de pesquisa já estão em andamento.

Um estudo anterior mostrou que o microplástico era 10 vezes maior nas fezes das crianças do que nos adultos, e que o uso de garrafas de plástico faz com que as crianças ingiram milhões de partículas por dia. Assustador!

Uma nova pesquisa adaptou as técnicas existentes para detectar e analisar partículas de até 0,0007 mm. Algumas das amostras de sangue continham dois ou três tipos de plástico. A equipe usou agulhas de seringa de aço e tubos de vidro para evitar contaminação e a quantidade e o tipo de plástico variaram consideravelmente entre as amostras de sangue.

O próximo objetivo é estudar os efeitos dos micro plásticos no corpo humano e a grande questão é o que está acontecendo em nossos  corpos? As partículas estão retidas no corpo? São transportadas para certos órgãos, por exemplo, atravessando a barreira hematoencefálica? E esses níveis são altos o suficiente para desencadear doenças?

São muitas as dúvidas e um único fato. Foi encontrado plástico no sangue humano.

Outro estudo recente descobriu que os micro plásticos podem se ligar às membranas externas dos glóbulos vermelhos e podem limitar sua capacidade de transportar oxigênio. Partículas também foram encontradas na placenta de mulheres grávidas, onde passam rapidamente dos pulmões para o coração, para o cérebro e outros órgãos do feto.

Pesquisas mais detalhadas são urgentemente necessárias sobre como os micro e nano plásticos afetam as estruturas e processos do corpo humano e se e como eles podem transformar células e induzir ao câncer.

É pessoal, nosso blog visa esclarecer a vocês de forma clara e direta o que estamos vivendo e as consequências das nossas escolhas.

À luz do aumento exponencial da produção de plástico, deve dobrar até 2040, o problema se torna mais urgente a cada dia.

Vamos abraçar essa luta?